16 de ago. de 2013

TERAPIA PERIODONTAL DE SUPORTE (TPS) - CIAB 2

Conceito: Denota a necessidade básica dos procedimentos terapêuticos para que os pacientes, por meio de esforços próprios, possam controlar a infecção periodontal. 

Objetivos da TPS: o objetivo de uma fase de manutenção é a preservação contínua da saúde gengival e periodontal, obtida como resultado um tratamento periodontal ativo. As rechamadas são baseadas nos riscos individuais de cada paciente, sendo intervalos de 3-4 meses ou 3-6 meses. 

O tratamento periodontal inclui:

- Avaliação da saúde sistêmica do paciente;
- Uma fase terapêutica relacionada à causa, em alguns casos;
- Uma fase corretiva envolvendo procedimentos cirúrgicos periodontais;
- Fase de Manutenção

CONDUTA CLÍNICA DO TRATAMENTO PERIODONTAL:
  • Considera as sequelas da doença, ou seja, documenta a perda de inserção periodontal, formação de bolsa periodontal, levando em consideração o padrão de higiene oral individual, a prevalência de sítios com sangramento à sondagem, nível de inserção e comprimento do osso alveolar antes da terapia.

1. AVALIAÇÃO CONTÍNUA DOS RISCOS MÚLTIPLOS:
Porcentagem de sangramento a sondagem: 
  • Habilidade no controle de placa
  • Adesão à TPS
  • Resposta do hospedeiro às bactérias
  • Baixo: sangramento à sondagem < 9%. 
  • Médio: sangramento à sondagem ≥10% e ≤ 25%. 
  • Alto: sangramento à sondagem > 25%.

Prevalência de bolsas residuais maiores que 4mm:
  • PS acima de 4mm
  • Sangramento sob sondagem
  • Supuração
  • Baixo: 0 – 4 bolsas periodontais. 
  • Médio: 4 – 8 bolsas periodontais. 
  • Alto: 8 – 12 bolsas periodontais.

Perda de dentes de um total de 28 dentes:
  • Perda dentária maior que 8 dentes
  • Disfunções mandibulares
  • Arco Dental com menos que 20 dentes Baixo: 2 – 4 dentes perdidos. 
  • Médio: 4 – 8 dentes perdidos. 
  • Alto: 8 – 12 dentes perdidos.

Perda de suporte periodontal em relação a idade do paciente (perda óssea/idade): 
  • Imagem periapical da região posterior da maxila
  • 1mm de perda = 10% de osso perdidoFilemon Nery N Filho
  • % de osso perdido divido por idade do pacienteBaixo: 0.25 – 0.5 de perda óssea/idade. 
  • Médio: 0.5 – 1.0 de perda óssea/idade. 
  • Alto: 1.0 – 1.5 de perda óssea/idade.

Condições sistêmicas e genéticas:
  • São considerados fatores de alto risco.
O impacto do diabetes na doença periodontal tem sido relatada em pacientes com doença periodontal não tratada, enquanto, nos dias de hoje, estas evidências claras não estão disponíveis para pacientes tratados. É razoável presumir que a influencia das condições sistêmicas pode também afetar a recorrência da doença. Alterações hormonais estão associadas a essas condições. As condições sistêmicas e os fatores genéticos que interferem na doença periodontal e no tratamento são categorizadas dicotomicamente quanto à presença ou ausência da condição, independentemente de seu controle médico, tendo em vista que o comportamento a longo prazo pode modular a resposta do hospedeiro.



Fatores ambientais, tais como o fumo: 

  • Fator de risco verdadeiro para a periodontite.
  • Mostram uma resposta de cicatrização menos favorável na reavaliação e durante um período de 6 anos de uma cuidadosa TPS.
  • Fator de Risco em TPS:
  • Papel do fumo na resposta do hospedeiro
  • Quantidade de cigarros
  • Tempo de uso ou sem fumar
  • Baixo: NF (não fumantes) e EF (ex fumantes) a mais de 5 anos. 
  • Médio: fumantes ocasionais < 10 cigarros por dia. 
  • Alto: fumantes de 10 – 20 cigarros por dia.
O Diagrama Funcional de Lang & Tonetti (2003)

Determina o risco periodontal individual do paciente.



Calculando o risco periodontal individual do paciente:
BAIXO RISCO PERIODONTAL: todos os parâmetros dentro da categoria de baixo risco ou no máximo um parâmetro na categoria de risco moderado.
MEDIO RISCO PERIODONTAL: dois parâmetros na categoria moderada e no máximo um parâmetro na categoria de alto risco.
ALTO RISCO PERIODONTAL: apresenta pelo menos dois parâmetros na categoria de alto risco. 



AVALIAÇÃO DOS RISCOS DENTÁRIOS: 

Avaliação do prognostico e função dos dentes, indicação da necessidade de medidas terapêuticas específicas.


Posição do dente na arcada dentaria:

- A má oclusão aumenta o risco periodontal, devido a retenção de placa e aumento da infecção gengival.


Envolvimento de furca.


Fatores iatrogênicos:

- Áreas de retenção de placa, tais como: restaurações com sobrecontorno, margens de coroas mal adaptadas, restaurações com polimento insatisfatório.

- Áreas de impactação alimentar afetando a efetividade da higienização.


Suporte periodontal residual:

- Dentes com suporte periodontal reduzido, porem saudáveis, podem funcionar como pilares em próteses fixas ou coroa individual.

Mobilidade dentária:

- Redução do periodonto.
- Hipermobilidade: espessamento do ligamento periodontal, e/ou altura dos tecidos periodontais de suporte.



AVALIAÇÃO DOS RISCOS POR SÍTIOS DE DENTES: 

Determinação da atividade da doença periodontal, determinação da estabilidade periodontal e presença da inflamação.

Sangramento a sondagem:

- Determina: estabilidade periodontal, presença de inflamação gengival.
- Auxilia na avaliação da progressão da lesão.


Profundidade de sondagem e perda de inserção: 

- Estabelece o diagnostico periodontal e as medidas de referencia.


Supuração:

- sítios em exacerbação.

Pacientes submetidos ao sistema de rechamadas

Tem sido claramente demonstrado que os pacientes periodontais tratados, que comparecem às visitas de manutenção regularmente, têm um melhor prognóstico que os pacientes que não comparecem. Pacientes não submetidos ou precariamente submetidos podem ser considerados de alto risco para a progressão da doença periodontal. Os pacientes que não faziam a manutenção após a terapia periodontal tinham uma maior incidência de estresse na vida e um relacionamento pessoal menos estável.



ETAPAS DA RECHAMADA: 

1. Exame, Reavaliação e Diagnostico (ERD).

- Atualizar dados de saúde geral do paciente,

- Realizar exames extra e intra-oral para detectar qualquer anormalidade.

- Avaliar os fatores de riscos.

- Realizar radiografias convencionais dos sítios necessários

2. Motivação, Reinstrução e Instrumentação (MRI).

- Motivação do paciente a adequada higiene oral.

- Deplacagem, RAR e alisamento radicular.

3. Tratamento dos Sítios Reinfectados (TSR).

- Sítios individuais, reinfectados e com supuração.

- Exige completa instrumentação sob anestésica, terapia com antibiótico local ou debridamento com acesso cirúrgico.

4. Polimento de toda a dentição, aplicação de Flúor e Determinação da futura TPS (PFD).

- Polimento de toda a dentição para remoção de todos os depósitos moles remanescentes e pigmentos.

- Flúorterapia

- Baseado nos riscos do paciente, determinar a nova visita da TPS.

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