27 de nov. de 2012

Condições e Lesões cancerizáveis






Condições e Lesões cancerizáveis

Quando falamos em lesões e condições cancerizáveis é necessário entendermos duas definições para poder difrerenciá-las.
LESÃO CANCERIZÁVEL
“um tecido benigno morfologicamente alterado no qual o câncer é mais fácil de ocorrer do que em um tecido homólogo normal”.

CONDIÇÃO CANCERIZÁVEL
“é um estado generalizado associado a um risco significativamente aumentado de desenvolver câncer ”.
O tabaco é um dos fatores de risco que favorecem a lesão e condição cancerizável. Ela vai depender do tipo de da quantidade sendo que o cigarro possui mais de 4.700 substâncias tóxicas 60 de ação carcinogênica.  Os fumantes tem mais predisposição ao câncer bucal do que os não fumantes.

Outro fator de risco que contribui para as lesões cancerizáveis é a a ingestão de bebidas alcoólicas, que por sua vez ajudam no risco de carcinoma de boca, faringe, esôfago, laringe, fígado e pulmão.  Vale ressaltar que o risco relativo de câncer difere quanto ao tipo de bebida ingerida. O álcool atua como co-fator de componentes do tabaco = efeito sinérgico.

Leucoplasia

A leucoplasia é uma das lesões cancerizáveis mais freqüentes da cavidade bucal, desenvolvendo-se em qualquer região sendo, o assoalho de boca, faringe e o rebordo lateral de língua as áreas mais afetadas.

Uma lesão leucoplásica normalmente está relacionada, em muitos casos, ao aumento da permeabilidade das células da mucosa aos agentes carcinogênicos, devido ao efeito solubilizante do álcool (desidratação das mucosas e ação dos agentes carcinogênicos facilitada). Hábitos como tabagismo, quando associada à etilismo, aumenta a probabilidade de tornar-se cancerizável, existindo casos de lesões leucoplásicas que são consideradas idiopáticas , “sem origem aparente”. A presença de substâncias carcinogênicas nas bebidas alcoólicas (nitrosamina e hidrocarbonetos) e de metabólitos do etanol (aldeído) que são responsáveis pela agressão célula e consequente diminuição dos mecanismos locais de defesa.

Outros fatores de risco:

MICRORGANISMOS : Treponema pallidum; Papiloma vírus humano (HPV); Candida albicans;

IMUNOSSUPRESSÃO: As células malignas recém-criadas não possam ser reconhecidas e destruídas; AIDS; Uso de imunossupressores.

RADIAÇÃO: Radiação X; Radiação ultravioleta (lábios); FENÓIS; Ácido fenoxiacéticos (CA bucal, nasal e orofaringeo)

DEFICIÊNCIA DE FERRO: Síndrome de Plummer-Vinson ou de Paterson-Kelly

DEFICIÊNCIA VITAMINA A: Ceratinização excessiva da pele e mucosa

ONCOGENES E GENES SUPRESSORES DE TUMOR

O diagnóstico da leucoplasia é complexo sendo que seu aspecto clínico é semelhante a outras lesões com aspecto de placas brancas que acometem o complexo estomatognático. Ao exame histológico existem vários padrões de diferenciação das leucoplasias, entretanto, o LÍQUEN PLANO, LEUCOEDEMA e a ESTOMATITE NICOTÍNICA são as mais comumente observadas.

A leucoplasia ocorre mais frequentemente em homens, acima dos 40 anos, sendo que a prevalência aumenta rapidamente com a idade.
Em lesões de pequena proporção em tamanho indica-se à biópsia excisional, porém quando lesões maiores são observadas, normalmente realiza-se a marcação e biópsia incisional para análise, antes de determinar tratamento definitivo.
Podem ser divididas clinicamente conforme Classificação de AXÉLL et al. (1996):
  • Leucoplasia homogênea: lesão predominantemente branca, de superfície plana, fina, que pode exibir fendas superficiais com aspecto liso, enrugado, ou corrugado, e textura consistente;
  • Leucoplasia não-homogênea: lesão predominantemente branca ou branco-avermelhada, que pode ter superfície irregular, nodular, ou exofítica


Eritroplasia

A eritroplasia é definida como “[...] uma placa vermelha que não pode ser diagnosticada clínica ou patologicamente como qualquer outra condição”. Essa lesão merece destaque, dentre aquelas com maior potencialn  de malignização, como a leucoplasia e a queilite actínica, por apresentar elevado percentual de transformação maligna.

A eritroplasia possui etiologia considerada controversa, podendo apresentar-se relacionada com a exposição a agentes carcinogênicos, como o tabaco e o álcool, ou ocorrer de forma idiopática.
A eritroplasia constitui-se clinicamente como uma alteração eritematosa, que pode apresentar-se plana ou como uma leve depressão na mucosa com superfície lisa ou levemente granular. Localiza-se preferencialmente em assoalho bucal, língua, palato duro e mole, e apresenta tamanho variado.

 As lesões eritroplásicas podem ser classificadas em:

homogênea – quando se apresenta vermelha, plana e com bordas bem definidas;

associada – lesão clinicamente semelhante à anterior, porém associada a áreas leucoplásicas. Essa forma também é conhecida como eritroleucoplasia;

granular – lesão vermelha, ligeiramente elevada, com bordas irregulares entremeadas por pontos leucoplásicos. Geralmente são assintomáticas, porém há relatos pouco frequentes de pacientes que apresentam ardência e queimação local.


Geralmente são assintomáticas, porém há relatos pouco frequentes de pacientes que apresentam ardência e queimação local. O diagnóstico diferencial deve incluir as dermatoses, condições inflamatórias por infecção local e a estomatite pela presença de próteses dentárias.

Características histopatológicas: Displasia epitelial grave ou Carcinoma in situ ou carcinoma de células escamosas. Epitélio com ausência de ceratina (células imaturas), atrófico ou hiperplásico. Visualização de microcirculação adjacente (tecido conjuntivo com inflamação crônica)

Tratamento: Fonte de irritação removida (regressão da inflamação); biópsia; possibilidade de recorrência .



Queilite Actínica

Uma das lesões causadas pela radiação solar é a queilite actínica (QA), desordem potencialmente maligna que afeta o vermelhão dos lábios (PISCASCIA; ROBINSON, 1987) sen­do definida como uma condição degenerativa do epitélio de revestimento, causada pela ação da radiação ultravioleta do sol sobre os lábios (COLEMAN; NELSON, 1996). O fator etiológico mais importante ligado à queilose actínica é a radiação solar (AYRES, 1923; JOLLY, 1976; CATALDO & DOKU, 1981; PICASCIA & ROBINSON, 1987; NEVILLE et al., 1995; JITORMIRSKI, 1999 ). Além disso, a lesão geralmente acomete muito mais a região do vermelhão do lábio inferior comparado ao lábio superior devido a uma maior incidência direta de raios solares. Nos casos mais avançados é comum o edema difuso do lá­bio e o apagamento do limite dermatomucoso (LUNDEEN; LANGLAIS; TEREZHALMY, 1985).
A lesão é mais prevalente no sexo masculino, numa razão homem-mulher de 10:1. Quanto à faixa etária, alguns estudos sugeriam uma maior icidência em pessoas com idade superior a 45 anos. Outros fatores etiológicos, como fumo, viroses e outras condições relacionadas ao estado imunológico, fatores genéticos / familiais e estado sócio-econômico têm sido também citados (WALDRON & SHAFER, 1975; CATALDO & DOKU, 1981; NEVILLE et al., 1995; MOORE et al., 1999). Geralmente é assintomática, mas pode haver, com a des­camação persistente, sensação de secura, queimação, prurido e dor (CATALDO; DOKU, 1981).

Aspectos histológicos: Epitélio escamoso estratificado atrófico com acentuada produção de ceratina.  Graus variados de displasia epitelial  e tecido conjuntivo faixa de alteração basófila, acelular e amorfa.

Tratamento e condutas terapêuticas: Uso de chapéus e protetor solar (FPS 50) em forma de bastão; Corticoterapia Tópica – Fase aguda ; Biópsia incisional (areas endurecidas, espessas, com ulceração ou leucoplasia);  Vermelhectomia (casos graves sem maliginidade) ; Laser ; Acompanhamento por longo período.


Liquen Plano

É uma doença mucocutânea (que ocorre tanto na pele como em mucosa). Consiste em uma inflamação crônica da mucosa oral sem causa conhecida. Quase 20% a 25% dos pacientes com líquen cutâneo apresentam lesões orais que podem ocorrer antes que as lesões de pele. Afeta mais as mulheres, principalmente com idade superior a 40 anos. A sua patogênese possui uma participação importante da imunidade celular com um potencial de malignização discutível e apresenta multiplicidade de aspectos clínicos.

As lesões bucais são freqüentemente múltiplas, bilaterais, estriadas ou como placas esbranquiçadas, ocasionalmente erodidas. Pode se apresentar de três formas:
  • Reticular: Mucosa jugal bilateral, borda lateral e dorso da língua, a gengiva o palato e o vermelhão do lábio; assintomatico; Linhas brancas que se entrelação , Estrias de Wickham
  • Eritematoso ou atrófico: Sintomáticas; Áreas eritematosas atróficas, com graus variáveis de ulceração.
  • Placa: Caracterizado por placas brancas de forma irregular podendo ser multifocais
O tipo mais comum é a forma reticular, caracterizada pela presença de numerosas linhas ou estrias ceratóticas que se entrelaçam produzindo um padrão redilhado. A área mais comumente envolvida é a mucosa jugal.

O eritematoso ou erosivo, apresenta-se geralmente na língua ou mucosa jugal.

O líquen plano em forma de placa tende  a assemelhar-se clinicamente à leucoplasia, com distribuição multifocal. As placas variam geralmente entre ligeiramente elevadas e lisas a levemente irregulares. A localização principal desta variante é no dorso da língua e na bochecha. 

Existe também uma forma mais rara de líquen plano que é a variante bolhosa. As bolhas ou vesículas variam de alguns  a vários centímetros de diâmetro. Essas bolhas geralmente tem curta duração e, ao se romperem, deixam uma superfície ulcerada e extremamente incômoda.




Estomatite nicotínica

Está relacionado ao cigarro, está mais relacionado ao calor dos produtos do fumo do que com as propriedades carcinogênicas, e às bebidas quentes (chimarrão). (Neville, 2004). Segundo Regezzi, 2000 a combinação dos elementos carcinogênicos do tabaco e o calor de sua queima intensificam-se pelo hábito de fumar invertido, comum em países como a Índia aumentando significativamente o risco de conversão maligna.

Atinge homens, na maioria das vezes, por volta de 45 anos de idade, a lesão se forma ao longo do tempo (agressão crônica).
Ocorre na mucosa palatina, a mucosa palatina torna-se difusamente cinza ou branca com pápulas levemente elevadas com centro vermelho pontilhado, pode haver áreas leucoplásicas no palato. A cor marrom ou negra pode estar presente nos dentes
Características histológicas: Hiperceratose, acantose do epitélio, inflamação crônica focal, metaplasia escamosa dos ductos excretórios 

 
Fonte:



Ceratose do tabaco sem fumaça

A presença de tabaco sem fumaça, tanto o aspirado quanto o mascado, na boca pode resultar em alterações diretas da mucosa oral, o que ocorre em qualquer faixa etária, incluindo a infância e adolescência. As lesões são tipicamente encontradas no vestíbulo onde o tabaco fica depositado e podem-se estender para a gengiva e mucosa jugal.
As alterações apresentam-se com uma superfície rugosa que desaparece, quando é distendida, uma superfície granular com ceratose branda ou um tecido com grande espessamento, ceratose e fissuras bem-desenvolvidas. 
A extensão das alterações depende da suscetibilidade do hospedeiro, da forma e da quantidade do tabaco, e de há quantos anos: consumido. A gengiva pode-se apresentar inflamada e com retração.

Características clínicas : Perda indolor dos tecidos gengivais nas áreas de contato; Destruição da superfície vestibular do osso alveolar; Placa fina, cinza ou cinza-esbranquiçada com bordas que se misturam gradativamente com a mucosa normal; Presença de “bolsa de rapé” .

Características histopatológicas: Epitélio escamoso hiperceratinizado e acantótico; Formação de projeções de paraceratina; Aumento da vascularização e subepitelial e vasos congestos.

Tratamento: Biópsias; Resultado histopatológico; Ceratose não são tratadas; Após 6 semanas leucoplasia verdadeira; carcinoma de células escamosas .



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